A Sociedade Literária do Morro do Castelo surgiu, em 2019, do esforço de escritores e pesquisadores que sentem a necessidade de discutir e incentivar coletivamente a produção de uma literatura de qualidade que esteja ligada, criticamente, às questões históricas e sociais da sociedade brasileira.

O Morro do Castelo foi escolhido como símbolo da nossa atividade justamente pelos significados que ele encerra. Tendo sido o local de fundação da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e abrigando importantes patrimônios históricos brasileiros, foi aos poucos ganhando o aspecto de uma “periferia no centro da cidade”. Escritores como Machado de Assis e Lima Barreto atestaram a efervescência humana e cultural no antigo Morro. Mesmo assim, em 1922, por motivos questionáveis, o Morro do Castelo foi completamente demolido pelo Estado e seus habitantes foram despejados e largos em outras periferias pela cidade.

O Morro do Castelo sobrevive na literatura e, metaforicamente, em todos os morros do Rio. É simbólico o fato de que o Rio, uma cidade que nasceu em um morro e tenha cometido o crime de destruir o seu próprio marco de fundação, viva, hoje, em luta contra os morros, de onde veio muito do que é mais representativo da cultura carioca e, mesmo, da brasileira.
Nossa Sociedade Literária cultiva através da literatura a memória do Morro e a defesa das culturas que mantém vivo tudo aquilo que os poderosos pretenderam destruir ou quem vêm atuando deliberadamente há séculos para destruir.

Em 2020, foi lançada nossa primeira antologia de contos, Morro de Saudades: quatro caminhos para o Morro do Castelo, que teve na história do Rio de Janeiro e nas representações literárias do Morro do Castelo e do significado humano e cultural de sua destruição. Em 2021, lançamos uma antologia mais ampla e ligada diretamente ao incentivo de publicação de novos escritores, autores marginalizados, artistas cujas vozes merece voz em nossa sociedade. Assim, o livro “Vozes da Margem, Vozes na Margem: narrativas fora de centro” marca o nosso aprofundamento na literatura ligada aos marginalizados da sociedade brasileira, um fazer literário crítico e livre das amarras do poder.