Solenidade de Instalação de Janaína Nascimento

Janaína Nascimento recebe das mãos de Pedro Paulo Machado a Placa de Instalação de Escritora Escritora Residente da Sociedade Literária do Morro do Castelo.

A Escritora, Pedagoga e Ativista Negra Janaína Nascimento, na última quinta-feira, dia 1ª de julho de 2021 recebeu a placa de instalação na Sociedade Literária do Morro do Castelo.

Marcando o primeiro ato da nova direção que assumiu sua legislatura no dia 1º de julho de 2021, o novo presidente da Sociedade Literária do Morro do Castelo, o Escritor e Poeta Pedro Paulo Machado, oficiou a solenidade de instalação da escritora, pedagoga e ativista negra Janaína Nascimento como nova Escritora Residente da Sociedade Literária do Morro do Castelo.

Em um momento de extrema importância, alegria e significação para a SLMC, a instalação da Escritora Residente repercute a persistência em lutar e em dar voz através da literatura àqueles que são vítimas da desigualdade, das violências e da exclusão. Janaína Nascimento assume a Residência N.5, cuja patrona é Carolina Maria de Jesus, escritora periférica que trouxe através de suas linhas o relato de sofrimento das populações negras marginalizadas.

Nascida em 1978, na cidade do Rio de Janeiro, criada no bairro de Parada de Lucas no subúrbio do RJ, moradora de Duque de Caxias na Baixada Fluminense, Filha de Oxum, Escritora e Poetisa, Janaína Nascimento é Especialista em Ensino de História da África e realiza trabalhos com jovens e adultos em uma perspectiva antirracista e participativa.

Junto à Sociedade Literária do Morro do Castelo realizará atividades que visem reduzir as assimetrias sociais e promover a inclusão.

Confira abaixo a Carta de Instalação de Janaína Nascimento:

CARTA DE INSTALAÇÃO

Il.ma. Srª. Janaína Nascimento,

            A Sociedade Literária do Morro do Castelo, no dia de hoje, te recebe no Morro do Castelo de braços abertos. Bem-vinda aos domínios do que, apesar da destruição e da opressão perpetradas por poderes e forças da sociedade brasileira, resiste, não pode ser destruído e traz novamente à vida o que foi fisicamente destruído: trata-se da arte literária e do seu poder de criação da realidade. O Morro do Castelo não foi destruído, vive nos textos dos mestres e na resistência dos morros do Rio, seus filhos. Neste Morro, não basta ter uma cadeira ou ser um simples membro, mas efetivamente residir nele, pois escrever é um compromisso de vida, e é assim que você será instalada como uma Escritora Residente.

            Assim, você passa a residir simbolicamente na Ladeira da Misericórdia, uma das principais vias de acesso ao Morro do Castelo, ocupando a Residência nº.5. Sua nova Residência tem como patrona a escritora Carolina Maria de Jesus. É mister que se entenda o sentido dessa Residência e a postura que ela exige. A patrona desta residência é dona de uma obra que clama por justiça social e, embora trate especificamente das agruras dos favelados da capital paulista e não do Rio, observa-se o quanto a lógica elitista, racista e cruel do Estado presente nos relatos de Carolina Maria de Jesus, é a mesma que possibilitou a destruição física do Morro do Castelo, causando a perda definitiva de patrimônio cultural de valor incalculável que havia nele e a remoção de centenas de famílias que nele viviam.

            Essa mesma lógica cruel de exclusão social que se abateu sobre o Morro do Castelo no Rio de Janeiro e sobre a favela do Canindé em São Paulo, espaço dos relatos de Carolina Maria de Jesus, ainda se abate sobre as centenas de favelas do Rio de Janeiro: são lugares onde os poderes públicos até então só souberam agir por meio da destruição e da violência. A voz de Carolina Maria de Jesus reverbera as vozes das mulheres negras periféricas que, pela Literatura, se colocam contra essa lógica de violência, destruição e exclusão até aqui exercida pelo Estado Brasileiro. Tal é, também, a postura da nossa Sociedade Literária do Morro do Castelo e contamos contigo para, nestes tempos opressivos, andar conosco por caminhos literários que reivindiquem tempos de paz, de amor e de justiça.

            Quem sobe a Ladeira da Misericórdia e nela habita, como a partir de agora você reside, revela a vida do que muitos consideram morto. Despertamos o que estava apenas adormecido. É nesse sentido que a Arte Literária se faz essencial para relembrar e fazer novamente presentes ideais de tolerância, justiça e sabedoria que de tempos em tempos parecem ter sido esquecidos pela sociedade brasileira. Para tal, se faz necessária a busca pelo conhecimento tanto social e filosófico quanto literário. Mas nada é a busca desse conhecimento sem a ação: leitura, escrita e execução de projetos artísticos no seio deste lugar são imprescindíveis para a realização dos nossos propósitos e para a realização do Escritor Residente como artista e voz que agrega e se une às vozes dos mestres ancestrais de nossa Literatura.

Prof. Ms. Pedro Paulo Machado, Presidente